the hunter
Christian Martin.
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Luxure pt 2

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the hunter: Oficialização

bellelou:

christian-martin:

Pouco a pouco o gosto do chá se acentuou. Sorvi todo o líquido e depositei a xícara vazia na mesa. Tive a intenção de fazer elogios quanto à cortesia, porém meu pai tratou de fazê-los antes de mim. Agradeceu a gentileza, e sendo assim o acompanhei, reiterando suas palavras.  

Curiosamente, instantes depois, comecei a sentir um certo mal estar. Um desconforto abdominal me tomou de surpresa, e forcei-me a esconder o incômodo. Para não expor meu rosto contraído, abaixei a cabeça fitando um ponto qualquer do chão. Pelo canto do olho notei meu pai com a mesma expressão, desconfortável. O Sr. Villaneuve logo se manifestou, aparentemente incomodado, e pediu nossa licença. Saiu da sala, ligeiramente tenso, e sumiu atrás de uma porta. Procurei Louise e a vi indolente, alheia a agitação momentânea.

Meu pai tocou meu braço e murmurou que não se sentia muito bem. Prestes a dizer o mesmo, fui interrompido pelo Sr. Villaneuve, que regressou com o mesmo ânimo que deixou o aposento anteriormente. Tentou mascarar e sorriu, começando a falar sobre o dote. No entanto, o mal estar era visível em todos nós. 

Tive de esconder a vontade de gargalhar de alegria. Os três estavam se sentindo mal e era questão de tempo para que desistissem do noivado. Não conseguiriam pensar em nada relacionado ao assunto, apenas em banheiros. Admito que o plano foi golpe baixo, mas não me importava. Noivar eu não ia.

- Os senhores estão bem? – perguntei, franzindo as sobrancelhas, fingindo estar preocupada. – Parecem estar desconfortáveis com alguma coisa.

A melhor parte disso é que meu pai nunca saberia. Sequer desconfiaria.

- Querem mais chá?

Forcei meu melhor olhar inocente, enquanto por dentro ria da situação. 

- Sim, estamos – menti. Não seria de bom tom levantar suspeitas a respeito do chá servido. Além do mais, não tínhamos certeza de que fora o líquido que nos causou mal. – Não, obrigado, estou satisfeito.

Ambos os senhores emendaram em minha resposta, recusando educadamente. Remexi-me, agitado, contraindo o abdômen. Fosse qual fosse o motivo daquela infelicidade, era muito azar passar por isto justamente em um dia importante. Todavia, não perderia meu tempo com lamentações. Resolveríamos as pendências e tudo estaria acertado.

- Quanto ao dote…

- Podemos resolver isso em outra noite, não acha?

Meu pai interrompeu-me, com um apelo silencioso. O Sr. Villaneuve não se ofendeu e incentivou a decisão, afirmando que com mais tempo disponível poderia estipular um valor justo para o dote. Contrariado, concordei, certo de que era preciso.

- Se é da vontade dos senhores, que assim seja.

Levantei-me consternado, aborrecido pelas coisas que não deram certo. Meu pai passou minha frente se despedindo de Louise e caminhou para a porta, acompanhado por nosso anfitrião. Aproximei-me devagar da jovem e beijei sua mão.

- Até a próxima, minha bela. 

the hunter: Oficialização

bellelou:

christian-martin:

Reconheço ter me desapontado com a recusa, pois em meu íntimo criava expectativas, mas oportunidades futuras não faltariam.

Meneei a cabeça, compreensivo, acompanhando o gesto do Sr. Villaneuve. Meus olhos acompanharam a jovem até perdê-la de vista ao deixar o aposento. A seguir virei-me para meu pai e reconheci seu mérito.

- O senhor fez um bom trabalho.

Satisfeito com o elogio, ele sorriu em resposta.

- Quanto ao dote, Sr. Villaneuve… – desviei o olhar para o homem – Aceitarei o que tiver para oferecer.

Contudo, antes que resolvêssemos a pendência, Louise voltou trazendo consigo o chá. Serviu a todos e por último a mim. Quando estendeu a mão com a xícara, meus dedos tocaram nos dela, propositalmente.

- Obrigado.

Levei a xícara aos lábios, bebendo um pouco do chá. 

Senti outro tremor percorrer meu braço com o toque do rapaz. Sem responder a ele, voltei para minha cadeira, em silêncio. Em breve o efeito do chá surtiria efeito. Ansiosa, aguardei.

Desde que soube que meu pai me arranjara um noivo, pensei em mil maneiras de evitar o compromisso. Mas não haviam muitas opções. Fugir não adiantaria. Passar-me por louca, até ajudaria, mas eu podia esperar um belo castigo - pior do que aquele que recebi na primeira vez que testei a ideia. Então escolhi algo diferente, pelo menos até eu saber o que fazer. Preparei uma infusão de ervas laxantes e, só por via das dúvidas, acrescentei óleo de rícino. Bastante óleo de rícino. Eles se sentiriam tão mal, que esqueceriam o casamento.

E eu estaria livre.

Pouco a pouco o gosto do chá se acentuou. Sorvi todo o líquido e depositei a xícara vazia na mesa. Tive a intenção de fazer elogios quanto à cortesia, porém meu pai tratou de fazê-los antes de mim. Agradeceu a gentileza, e sendo assim o acompanhei, reiterando suas palavras.  

Curiosamente, instantes depois, comecei a sentir um certo mal estar. Um desconforto abdominal me tomou de surpresa, e forcei-me a esconder o incômodo. Para não expor meu rosto contraído, abaixei a cabeça fitando um ponto qualquer do chão. Pelo canto do olho notei meu pai com a mesma expressão, desconfortável. O Sr. Villaneuve logo se manifestou, aparentemente incomodado, e pediu nossa licença. Saiu da sala, ligeiramente tenso, e sumiu atrás de uma porta. Procurei Louise e a vi indolente, alheia a agitação momentânea.

Meu pai tocou meu braço e murmurou que não se sentia muito bem. Prestes a dizer o mesmo, fui interrompido pelo Sr. Villaneuve, que regressou com o mesmo ânimo que deixou o aposento anteriormente. Tentou mascarar e sorriu, começando a falar sobre o dote. No entanto, o mal estar era visível em todos nós. 

the hunter: Oficialização

bellelou:

christian-martin:

A tez pálida de Louise se transformou com um sorriso. Tomei aquilo por uma resposta positiva, sentindo a euforia da aparente aceitação. 

A seguir foi a vez de meu pai começar a discursar, agora sobre o dote da noiva. Para ser franco, o assunto em pauta era irrelevante a meu ver e tratava-o como mera formalidade. Minha família não era abastada, mas tinha recursos mais do que suficientes para suprir as necessidades. E no mais, as caçadas rendiam um bom dinheiro vez ou outra.

Nos minutos em que ambos nossos pais ainda conversavam sobre a questão do valor do dote, fixei a atenção na jovem. Gostaria de me aproximar e conhecê-la melhor. Porém, ali não era o lugar mais apropriado no momento e notavelmente ela não estava à vontade.

- Caminha comigo, Louise? 

As coisas estavam indo rápidas demais. Se já decidissem o valor do dote, tudo estaria perdido.

- Eu não posso. – respondi ao convite de Christian. Precisava agir logo e além disso, ter mais contato com aquele que eu quero distante não é uma boa ideia.

De repente os outros pararam a conversa e me encararam, questionando o porquê da minha recusa. Olhei para meu pai, inocente.

- Vou trazer um chá para vocês. – expliquei, me fingindo de ofendida pela desconfiança.

Então ele concordou e me mandou ir logo. Levantei, obediente, e fui para a cozinha, sorrindo perversa. Lá tirei a chaleira do fogo e senti o aroma do chá. Ninguém iria desconfiar. Preparei uma bandeja com três xícaras e o bule. Já que meu pai dera ordens para minha mãe e Brigitte irem para a casa de meu avô, era eu quem teria de servi-los.

Cheguei na sala e eles ainda falavam sobre o dote. Pus a bandeja numa mesa e enchi as xícaras com chá. Entreguei a primeira para meu pai e a outra para o pai de Christian. Por último levei a dele.

- Seu chá.  

Reconheço ter me desapontado com a recusa, pois em meu íntimo criava expectativas, mas oportunidades futuras não faltariam.

Meneei a cabeça, compreensivo, acompanhando o gesto do Sr. Villaneuve. Meus olhos acompanharam a jovem até perdê-la de vista ao deixar o aposento. A seguir virei-me para meu pai e reconheci seu mérito.

- O senhor fez um bom trabalho.

Satisfeito com o elogio, ele sorriu em resposta.

- Quanto ao dote, Sr. Villaneuve… – desviei o olhar para o homem – Aceitarei o que tiver para oferecer.

Contudo, antes que resolvêssemos a pendência, Louise voltou trazendo consigo o chá. Serviu a todos e por último a mim. Quando estendeu a mão com a xícara, meus dedos tocaram nos dela, propositalmente.

- Obrigado.

Levei a xícara aos lábios, bebendo um pouco do chá. 

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bellelou:

christian-martin:

- É um prazer conhecê-la… Louise. Eu sou Christian.

Soltei sua mão e recompus minha postura. Fui surpreendido por sensações inéditas e admirei a jovem, extasiado. Nunca em meus sonhos pensei em um dia ficar tão encantado por alguém. 

Meu pai a cumprimentou em seguida e após isso todos nos sentamos. O Sr. Villaneuve começou um discurso empolgado da alegria que lhe proporcionaria ver sua filha unida pelos laços matrimoniais a mim, quem ele acreditava ser um homem de caráter e respeitoso. Respondi prontamente.

- Estou de acordo com suas palavras, senhor. Muito me agradaria tomar sua filha por esposa.

Imediatamente mirei a jovem, procurando por sua aprovação. 

Confesso que fiquei surpresa; ele era bem diferente do que eu esperava. Era bonito e aparentemente educado, mas a ideia de casar ainda me dava náuseas. Além disso, meu plano já estava em andamento.

Depois das saudações, sentei na cadeira ao lado de meu pai e escutei em silêncio enquanto eles conversavam. Eu, mulher, criatura frágil e submissa segundo a regra geral, não poderia jamais me intrometer na conversa. A menos que quisesse levar uma surra mais tarde. E como não era o caso, permaneci calada, ouvindo a “barganha”.

Então prendi a respiração. “Muito me agradaria tomar sua filha por esposa”, ouvi Christian dizer. Estremeci. Senti seus olhos em mim e o encarei, lívida.  Em instantes todos também me encararam. Tentei disfarçar e sorri.

“Está na hora”.

A tez pálida de Louise se transformou com um sorriso. Tomei aquilo por uma resposta positiva, sentindo a euforia da aparente aceitação. 

A seguir foi a vez de meu pai começar a discursar, agora sobre o dote da noiva. Para ser franco, o assunto em pauta era irrelevante a meu ver e tratava-o como mera formalidade. Minha família não era abastada, mas tinha recursos mais do que suficientes para suprir as necessidades. E no mais, as caçadas rendiam um bom dinheiro vez ou outra.

Nos minutos em que ambos nossos pais ainda conversavam sobre a questão do valor do dote, fixei a atenção na jovem. Gostaria de me aproximar e conhecê-la melhor. Porém, ali não era o lugar mais apropriado no momento e notavelmente ela não estava à vontade.

- Caminha comigo, Louise? 

the hunter: Oficialização

bellelou:

christian-martin:

O caminho nunca me pareceu tão longo. A ansiedade exauria minha confiança e a impaciência crescia segundo após segundo. Não me recordo de qualquer outra situação que tenha me deixado neste estado. Mesmo as caçadas pareciam mais fáceis do que um noivado.

Finalmente cheguei à casa dos…

Olhei para o espelho, sem entusiasmo. Fitei meu reflexo pensando em como era irônico me preparar para impressionar um noivo que eu não queria. Me preparar para ser vendida como um pedaço de carne qualquer.

“Mas esta carne aqui tem vontade própria”.

Então eu sorri para mim mesma, pensando no que estava prestes a fazer. Comecei a escovar meus cabelos, lentamente. Quanto mais eu demorasse melhor. Mais tempo para meu plano dar certo e esse noivado acabar antes mesmo de começar.

Logo meu pai entrou no quarto, mandando que eu fosse para a sala. Em silêncio concordei e me levantei da cadeira, conformada. E uma última vez observei minha imagem refletida; o vestido escolhido para a ocasião, meus cabelos soltos, meu rosto pálido. Engoli em seco, e saí.

Segui até a sala, onde encontrei dois homens sentados. Um deles, o mais novo, se ergueu e se aproximou. Sem piscar, observei-o beijar minha mão, sentindo um arrepio subir por meu braço. Era ele.

- É um prazer conhecê-la… Louise. Eu sou Christian.

Soltei sua mão e recompus minha postura. Fui surpreendido por sensações inéditas e admirei a jovem, extasiado. Nunca em meus sonhos pensei em um dia ficar tão encantado por alguém. 

Meu pai a cumprimentou em seguida e após isso todos nos sentamos. O Sr. Villaneuve começou um discurso empolgado da alegria que lhe proporcionaria ver sua filha unida pelos laços matrimoniais a mim, quem ele acreditava ser um homem de caráter e respeitoso. Respondi prontamente.

- Estou de acordo com suas palavras, senhor. Muito me agradaria tomar sua filha por esposa.

Imediatamente mirei a jovem, procurando por sua aprovação. 

Oficialização

O caminho nunca me pareceu tão longo. A ansiedade exauria minha confiança e a impaciência crescia segundo após segundo. Não me recordo de qualquer outra situação que tenha me deixado neste estado. Mesmo as caçadas pareciam mais fáceis do que um noivado.

Finalmente cheguei à casa dos Villaneuve. De acordo com as tradições, casamentos deveriam ser firmados pelos pais dos noivos, o que explicava a presença imprescindível de meu pai ao meu lado. Logo fomos recepcionados pelo senhor da casa, que prestativo, ofereceu a segurança da estrebaria para nossos cavalos. Seguimos o homem conversando respeitosamente sobre as expectativas do jantar. Mesclei a empolgação e o nervoso, transparecendo minha inquietação. Prudente, sabia que devia me conter e foi pensando nisso que adentrei a residência.

O Sr. Villaneuve nos conduziu para a sala e pediu que sentássemos e aguardássemos. Mandando todo meu racionalismo para o inferno, suspirei com aflição e cruzei as mãos na frente do rosto. Meu pai sussurrou palavras tranquilizantes, mas não dei ouvidos. Em instantes nosso anfitrião voltou, e com ele sua filha. Levantei-me, e hipnotizado, cumprimentei a jovem com um beijo em sua mão.  

Noivado

A notícia não me agradou no início. Casar, justo no auge das minhas caçadas, era de longe uma péssima decisão. Admito que quando permiti que meus pais tratassem do meu casamento, não pensei que fossem resolver em tão pouco tempo.

Fui informado de que a noiva se chamava Louise. Senti uma pontada de curiosidade me atiçar, e desejei vê-la antes do acordo oficial do noivado, que seria feito dentro de alguns dias. Meu pai revelou-me o lugar onde morava e parti para conhecê-la.

Era uma pequena casa nas proximidades da floresta, não muito longe. No decurso do caminho, fui pensando em como agiria quando a visse: se me apresentaria como seu futuro noivo ou simplesmente como um andarilho. Ao passo que gostaria de ver sua reação ao encontrar o futuro esposo, me agradaria saber se seria gentil com um viajante que precisa de ajuda. No entanto quando pousei os olhos sobre ela, esqueci-me de tudo.

Uma senhora, parada defronte a porta da casa, chamou seu nome e uma jovem apareceu. Ela respondeu à velha mulher e naquele momento soube que era minha futura noiva. Pisquei, contemplando sua beleza. Tive ímpetos de ir até ela e me apresentar, apenas para beijar-lhe a mão e sentir sua pele. Porém, antes que aplacasse meu desejo e abrandasse meu coração, as duas entraram na casa.

Inspirei fundo e dei meia volta. Ainda que ansiasse por conhecê-la, decidi esperar por uma melhor ocasião. Receava que fizesse algo errado e a perdesse, o que de repente, me pareceu algo angustiante.

À caça

Empurrei a rangente porta de madeira e entrei. Instantaneamente, seguiu-se o silêncio absoluto. Com olhares hostis, os homens na taberna me observaram sem ocultar a desconfiança. Sem dar importância à inimizade dos outros, percorri a distância até uma mesa recolhida no fundo. Puxei uma cadeira e sentei-me no assento de madeira desgastada. Em instantes, fui abordado.

- O senhor deseja alguma coisa? – uma garçonete insinuante indagou. Seus cabelos louros estavam empapados de gordura e ela sorriu com hálito de cebola.

Fitando a mulher com disfarçado desdém, a dispensei com uma recusa. Meus objetivos eram outros e precisava estar vigilante, sem desdobrar a atenção com fatores secundários.

Impaciente, apoiei os cotovelos na mesa e com uma expressão aborrecida, passei a encarar qualquer um que se aproximasse. Aquele ambiente não me agradava e não esperava me demorar muito, contudo, estava à mercê da pontualidade irregular do meu convidado.

- Senhor.

Virei o rosto, e por cima do ombro, encarei o homem. Curvei a cabeça, indicando uma cadeira, e esperei que sentasse. Prontamente obedeceu e foi direto ao assunto.

- Encontrei a tumba.

Estudei suas feições para certificar-me de que não estava mentindo. Ele não teria coragem. Seu respeito por mim na verdade era um meio de esconder seu medo. Compreendia meu trabalho, mas isso apenas lhe servia para fazê-lo mais temente.  

- Leve-me até o lugar.

Deixamos a taberna e seguimos a cavalo em direção ao cemitério da cidade. Fomos por uma estrada velha de terra batida, cortando caminho pela floresta e evitando a outra travessia mais longa e com mais movimento. O sol ainda estava alto quando partimos e já estava se pondo quando chegamos.

Adentramos a necrópole, observando as lápides que cobriam toda a extensão de terra. O cemitério fora construído em uma colina, e para onde olhássemos havia tumbas. Ao longe, a capela se erguia humilde e simbólica, e ao seu lado, estava o mausoléu.

- O vampiro se esconde lá dentro, senhor.

- Obrigado, Boris – agradeci. De dentro do cinturão, tirei uma pequena bolsa contendo algumas moedas de prata, e estendi para o homem. – Fez um bom trabalho.

Ele agradeceu e se foi. Tomei partida rumo ao mausoléu, aliviado por finalmente ter descoberto a localização do morto-vivo. Este era um vampiro esperto, que quando soube que era caçado, passou a se esconder em diferentes lugares noite após noite, dificultando o trabalho de encontrá-lo. Quando era necessário um serviço deste tipo, Boris me servia com prontidão.

O ferrolho da porta estava quebrado, logo não foi difícil entrar. Desembainhei a espada e peguei a estaca de madeira que levei presa sob a capa. Era uma tática que muito ajudava. Enquanto desferia golpes com a espada, distraindo o vampiro, fincava-lhe a estaca com sua guarda baixa.

Desci as escadas que me levariam ao centro das tumbas. Por sorte, algumas tochas estavam acesas e iluminavam o local, ainda que precariamente. Vislumbrei a tumba semiaberta, refúgio do vampiro. Aproximei-me com as armas em punho e verifiquei se ele estava lá. Com os braços cruzados sobre o peito, dormia o morto-vivo. Empunhei a estaca, e como se previsse seu fim, ele abriu os olhos.  

- Suas últimas palavras?

O vampiro deu um grito agudo e desci a mão, fincando a estaca em seu peito.